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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O mundo está uma porcaria

O Marreta postou em seu blogue mais um de seus belos poemas bukowskianos, intitulado Um Nascer do Sol em 4 K. Deixei lá um comentário informado que tinha acabado de descer duas doses de Buchanan's Deluxe 12 Anos e ele me respondeu: "Pela hora do seu comentário, devia ser perto das duas da matina. Quinta-feira... Madrugada... whisky do bom, do ótimo... Isso sim é vida. Saúde, meu caro.". Concordo com ele que isso sim é vida, mas faço um aparte: isso também é uma forma de viver, dentre tantas outras. Há quem não beba nem fume e tanto faz. Mas encontra seus pequenos prazeres em diversas outras atividades ou até em ficar à toa coçando o saco enquanto observa a madrugada pela varanda, com seus pensamentos. O importante é que cada um viva à sua maneira, com os seus demônios sendo mantidos sob controle, trancafiados.

Isso dos demônios, aliás, me recordou o romance Doutor Sono de Stephen King. Já falei sobre ele aqui no blogue. Na obra, Daniel Torrance mantem todas as entidades malignas do extinto Overlook Hotel em gavetas mentais, aprisionadas. Isso recorda o que o Rei Salomão fazia com os "caídos" por ele conjurados e, depois, mantidos sob o controle de nomes, signos, sigilos e jarros de barro. O ideal é ter fé no Nosso Senhor Jesus Cristo e não precisar se preocupar com os tinhosos, claro. Mas isso não é possível para todos. Aliás, Santo Agostinho citou algo a respeito: não podemos impedir que as más ideias (entidades) sobrevoem nossas cabeças, mas podemos impedi-las que ali façam seus ninhos. E, como diz o ditado popular: onde fez ninho, deixou ovos e fezes. Então é isso: manter os pensamentos ruins domados.

Enfim: achei interessante a postagem do Marreta e isso me fez pensar sobre mil coisa que não valem a pena expor aqui e não haveria nem tempo para tal afã. 

O uísque mencionado e mostrado no vídeo acima me foi dado de presente de dia dos pais, junto com uma camiseta para minhas corridas noturnas (e para o dia a dia, já que uso bastante camiseta regata no cotidiano, exibindo minhas belas tatuagens e meus músculos invejáveis). Gosto de bebê-lo puro ou no café. Aliás, café com uísque e mel de abelha é uma delícia - recomendo. No vídeo acima, adicionei a música Samba de Ana, feita pelo Fabiano com uso de IA sobre poema homônimo publicado em meu livro Invenção Nortuna.

Durante as madrugadas pensando na vida que poderia ter sido e que não foi e em como a vida realmente se tornou uma bosta, penso que até mesmo um nascer de sol na TV de tubo de minha infância e adolescência seria melhor do que o que possuímos hoje. O mundo está uma porcaria. A internet banda larga e redes sociais nos trouxeram uma existência medíocre e inúmeros problemas que ela (internet) tenta nos ajudar a solucionar; mas, sem tanta tecnologia, não teríamos os problemas que ela mesma "nos ajuda" a resolver. Está tudo acelerado e não podemos mais sobreviver sem telefonia móvel e aplicativos e senhas a perde de vista. E não adianta desligar o telefone, pois, ao ligarmos, os problemas serão atualizados para nós tão logo conectados à internet.

Falando em internet, era algo que parecia legal no início, aos meus 15 anos idade com meu computador AMD K6-2 500 MHz e conexão discada num modem 56 kbps. Tínhamos o Kazaa e o eMule para baixar músicas, ouvidas quase sempre no Winamp, enquanto usávamos ICQ, IRC e MSN para conversar com pessoas que conhecíamos pelo Orkut. Mas só foi bom até aí mesmo.

É isso. O poema do Marreta me levou longe. Vou ficando por aqui antes que vá longe demais. Abraços etílicos e até a próxima.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Meu canal no YouTube


Esta é a terra de ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Eu sou metal
Raio, relâmpago e trovão

Achei interessante colocar os versos de Legião Urbana em epígrafe a esta postagem por duas razões: a) porque gosto da banda e b) porque isso tem a ver com minha insistência em manter um blogue há mais de uma década e meia. Na verdade, dois blogues, pois este é o segundo, uma vez que o primeiro foi removido pelo Google justamente no auge da blogosfera por “descumprimento das diretrizes da comunidade”, sem que nunca tenha informado quais foram. Criei tudo novamente a partir de um backup, aproveitando para manter apenas o que queria e deixando muita coisa supérflua de lado. Na época, estava nesse ímpeto de ser “metal, raio, relâmpago e trovão”. Hoje em dia, tô meio borracha fraca. Se este blogue cair novamente (e meu canal também), não tentarei mais. Sairei da vida bloguerística, pois estou velho demais para ficar lutando contra robôs de big techs.

Mas vamos lá... Há sete anos, o Vlog do Neófito nasceu como apêndice deste blogue. A ideia, inicialmente, era modesta: utilizar o YouTube como ferramenta de suporte, sobretudo para inserir vídeos nas postagens. Em vez de encher uma matéria com fotografias, bastava subir o vídeo e deixá-lo ali, incorporado ao texto. Durante um bom tempo, foi exatamente isso: o blogue era a casa; o YouTube, mero depósito.

Aconteceu, porém, uma inversão. Quando passei a produzir vídeos próprios para acompanhar e divulgar matérias publicadas no blogue, o canal começou a devolver o favor. O que deveria apenas servir de suporte passou a levar gente para cá. E, pouco a pouco, deixou de ser mero suporte. Hoje, o canal no YouTube é minha principal plataforma para produção de conteúdo fecal (para alguns) ou legal (para outros).

É isso. O canal ganhou independência, passou a receber conteúdo produzido especificamente para ele e acabou se transformando na principal plataforma de compartilhamento. O blogue continua existindo — e continua sendo importante —, mas já não ocupa sozinho o centro da produção. A antiga ferramenta auxiliar ganhou vida própria e, agora, suporta sobre suas costas o blogue que lhe deu origem.

Os números ajudam a contar essa pequena história. Em sete anos, o canal chegou a 551.093 visualizações, acumulou 38,4 mil horas de exibição e ultrapassou 5 mil inscritos, chegando a 5.034 no momento desta análise. A receita estimada acumulada aparece em US$ 369,74. E há um dado especialmente interessante: nas últimas 48 horas, o canal registrava 1.653 visualizações. Sim, estou sendo bastante transparente sobre tais estatísticas para quem pretende se aventurar no YouTube. Os ganhos são mesmo pífios para quem é uma gota d’água naquele oceano de exabytes de vídeos e músicas. Dizem que já houve um tempo em que era fácil embolsar dinheiro com o Google AdSense; mas isso já era. Quem não for gigante e não mantiver parcerias com marcas patrocinadoras dificilmente verá bufunfa regularmente na plataforma. Mas, como costumo dizer, já que gosto de groselhar, ao menos monetizar alguns trocados é ainda melhor, mesmo que seja apenas o dinheiro do cafezinho espresso que tanto adoro. Pior do que isso é ficar alimentando plataformas como Facebook e Instagram em troca tão somente de mera exposição.

E mais dados: nos últimos 28 dias, 47,9% das visualizações vieram dos recursos de navegação do próprio YouTube, 16,9% da pesquisa e 14,4% dos vídeos sugeridos. Ou seja: aquilo que começou como um mero instrumento para o blogue passou a encontrar público por conta própria, dentro da própria plataforma.

Repaginando. Foi uma “inversão” curiosa. O blogue ajudou a criar o canal. O canal, depois, passou a ajudar o blogue. E agora o canal chegou ao ponto de caminhar com as próprias pernas, levando o site pelas mãos. Ou melhor: arrastando-o, uma vez que blogues são, convenhamos, espaços mortos, embora zumbificados. Falei melhor sobre isso na postagem “Necrófilos”, de forma que não quero me repetir.

Nada disso foi planejado do ponto de vista "estratégico", por assim dizer, considerando que a plataforma Blogger morreu e eu precisava de um novo espaço, com maior alcance. Foi apenas acontecendo. Um vídeo aqui, outro ali, uma matéria transformada em vídeo, um assunto que parecia render alguma conversa... e, quando percebi, havia um canal com mais de meio milhão de visualizações.

O que era ferramenta acabou virando plataforma. E, convenhamos, para algo que começou como simples suporte a um blogue, até que não deu tão errado. E tem trazido bons momentos, no geral.

É isso. Fico por aqui. Abraços vlogueiros e até a próxima.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Saudades das profecias de Olavo de Carvalho

O vídeo acima me apareceu como recomendação do YouTube e veio em boa hora, pois há poucos dias eu havia postado na mesma plataforma algumas ponderações sobre o destino do ex Presidente Bolsonaro, usado constantemente como boi de piranha diante de qualquer escândalo nacional. O INSS está sendo saqueado e descobriram que o irmão de Lula está no esquema? Foco no Bozo. O dono do banco Master se beneficia de uma boa assessoria jurídica com esposas de Ministros do Supremo Tribunal Federal? Foco no Bozo. A crise fiscal chegou a um ponto de inflexão? Foco no Bozo. A COP30 é internacionalmente reconhecida como uma palhaçada? Foco no capitão frouxo. A coisa é por aí. Deu para entender. Mas, em meu vídeo, não passo pano para o Frouxonauro, pois ele colhe o que semeou: aliou-se aos seu inimigos declarados, praticou estelionato eleitoral contra boa parte de seu eleitorado e se cercou de gente safada que vivia em constante busca de manter "boas relações com os inimigos".

Em 2019, ocorreu um conflito público entre Olavo de Carvalho e o general Eduardo Villas Bôas, então assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional. A disputa teve início após uma série de críticas de Olavo aos militares do governo, especialmente ao ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz e, posteriormente, ao próprio Villas Bôas, em declarações publicadas nas redes sociais. As manifestações geraram forte repercussão dentro do governo e entre apoiadores das duas figuras. O general-geleia atribuiu ao professor acusações como: a) ser um "Trótski de direita"; b) "total falta de princípios básicos de educação e respeito"; c) prestar "enorme desserviço ao país" e d) ter participado de "praticamente todas as crises" vividas pelo governo Bolsonaro até então. Em resumo: o generalíssimo nada refutou e nem havia como tentar fazê-lo. De acordo com o Governo Bolsonaro, o melhor caminho seria manter boas relações institucionais com seus opositores, com as pessoas que queriam decapitá-lo em praça pública.

Como era bom ter o professor Olavo de Carvalho falando o óbvio em redes sociais. Felizmente, partiu em paz e com uma boa idade (74 anos), ao lado de seus familiares e bem longe desta pocilga apelidada de Estado Democrático de Direito (sistema de Governo) e República Federativa (formas de Estado e de Governo).

A seguir, compartilho meu vídeo sobre o assunto.

Abraços olavetes e até a próxima.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Os clubes de correspondência


Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Manuel Bandeira

Como faço em alguns meses do ano (um loop ou repeteco sem fim), andei relendo quadrinhos de Recruta Zero, Os Trapalhões, Turma da Mônica (das fases Abril e Globo) e outros títulos infantis semelhantes. E algo sempre me chama atenção: a enorme quantidade de cartas enviadas à redação, muitas delas dedicadas à divulgação de clubes de correspondência. Na era pré-internet, quando o bairro — por maior que fosse — já não bastava para encontrar pessoas com interesses comuns, esses pequenos “grupelhos” surgiam como uma alternativa criativa. Não creio que fossem fruto de carência, como tantas interações nas redes sociais atuais o são; eram, antes, uma forma de preservar o encanto de enviar e receber cartas, além de ampliar horizontes de um jeito genuíno e humano. Aliás, eram as únicas maneiras que possuíamos: físicas, humanas e reais, vez que não havia a opção do meio digital para isso.

Esses grupos eram necessários, penso. Vejamos. Mesmo nos bairros mais populosos — que para nós, então crianças, pareciam verdadeiros mundos — era difícil encontrar quem compartilhasse paixões específicas - como filatelia, colecionismo de gibis raros, aeromodelismo e outras bobageiras fascinantes. Nas revistas Calafrio e Mestre do Terror, por exemplo, era comum ver leitores escrevendo apenas para trocar, vender ou comprar edições de terror que não se encontravam nem nos sebos locais. Era uma época mais simples e tranquila, em que a vida fluía mansamente e não tínhamos a ansiedade de sermos encontrados o tempo todo. Quando eu era guri, mal contávamos com telefonia fixa; era outro ritmo, outro mundo. Então, para ampliar nossos horizontes, a rua e o bairro não serviam. Felizmente, em meu bairro e na escola onde por mais tempo estudei, havia muito garoto com os mesmos interesses. Mas, às vezes, eu ia às casas de minhas tias e a gurizada por lá não gostava de quadrinhos nem tampouco de falar sobre o filme exibido na última Tela Quente da Globo, “exibido pela primeira vez na televisão”. Para suprir lacunas assim, esses clubes de correspondência deviam ser algo maravilhoso.

Em resumo, é isso: me vi pensando nessas pessoas que trocavam cartas com estranhos quando a ideia de acesso à internet (ainda que discada em um modem de 56 kbps) nem sequer existia para nós. E a ideia é encantadora. Eu mesmo troquei cartas com um colega durante bastante tempo, quando me mudei pela primeira vez de Estado, aos 15 anos de idade. Era satisfatório receber aquela correspondência, abri-la e descobrir as novidades que meu nobre amigo Alex tinha a trazer. Em regra, as cartas manuscritas do Alex tinham entre três e cinco laudas, sempre com ideias interessantes sobre teologia, literatura e, às vezes, quadrinhos. Como minha letra é ininteligível, optava por enviá-las, de início, datilografadas; depois, quando comprei meu primeiro PC e uma impressora Canon, iam impressas. Mas, mesmo impressas, eu as assinava ao final.

Reler gibis no "loop infinito" acima mencionado hoje é gratificante em todos os sentidos possíveis. Mas, curiosamente, são as propagandas e as seções de cartas que se revelam o ponto mais saboroso dessa experiência. Claro: na época, aquilo era também uma forma de nos lesar. Pagávamos caro por gibis em formatinho, impressos em papel ordinário, com qualidade gráfica pífia, e no meio de poucas histórias éramos brindados com toneladas de publicidade e enchimento de linguiça. No exemplar que revisitei — Recruta Zero n.º 02, da Editora Globo, de agosto de 1989 — há apenas 38 páginas, das quais oito são ocupadas pela capa e quarta capa, anúncios, seção de cartas e uma tirinha final, com meia página destinada ao expediente. Hoje, é evidente que esses gibizinhos não apenas se pagavam pelas vendas, mas ajudavam a compensar prejuízos de outros setores das editoras.

Ainda assim, revisitar esses “extras” acabou se tornando, na posteridade, um prazer inesperado. Eles funcionam como cápsulas do tempo, capazes de nos transportar de volta a um período que, felizmente, não voltará mais — mas que permanece vivo nessas lembranças impressas em papel barato e tinta falha, carregadas de charme, ingenuidade e história. Falei “felizmente” porque adoro a internet e tudo o que ela proporciona. Adoro, sobretudo, o fato de poder ter acesso gratuitamente a esses scans. Outrora, era tudo caríssimo e quase inacessível: música, filmes, séries, livros, quadrinhos etc. Deus - ou Diabo - salve a banda larga, no final das contas.

É isso. Achei interessante falar sobre os antigos clubes de correspondência, divulgados em praticamente todas as publicações do passado.

Abraços nostálgicos (até certo ponto) e até a próxima.

A seguir, os extras presentes no gibi, inclusive, claro, a seção de cartas.










sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Gangsta's Paradise da vida real


Vou te apresentar um Kit Salve Da Quebrada:
um jacarezinho pra amarrar a mãozinha dela,
um taco de beisebol pra quebrar o braço dela,
dez metros de fio pra zebrar as costas dela,
uma maquininha pra raspar o cabelo dela.

MC Bóbi Dilã, 2025

O filme Mentes Perigosas fez bastante sucesso quando eu era adolescente. LouAnne Johnson (Michelle "diliça" Pfeiffer) é uma oficial naval que tem a brilhante ideia de largar a Marinha para lecionar inglês em uma escola pública fodida na Califórnia — o Estado com mais putas e bandidos por metro quadrado dos USA, creio. Ao se deparar com uma turma de adolescentes desgraçados, violentos e filhos da puta, ela percebe que os métodos tradicionais não funcionam. Ora, quem diria, né? Determinada a fazer a diferença, LouAnne (muié "inspiradora" ainda viva, sobre quem o filme se baseou) adota estratégias pouco convencionais para conquistar a confiança dos alunos, inspirando-os com músicas de Bob Dylan, amor e compreensão. Claro, ela mantém a dureza, mas sem perder a ternura. E não é que, dizem, deu certo? Alguns dos meliantes se aprumaram na vida. Coisas de cinema, claro. E tudo embalado pelo rap mais famoso da história: Gangsta's Paradise.

Gangsta's Paradise foi composta (sobre Pastime Paradise do genial Stevie Wonder) para o filme e conta com a própria Michelle Pfeiffer no clipe oficial. Fala do desperdício de vida com o crime. De pessoas que se iluminaram etc. Tem tudo a ver com a película e, creio, é uma das canções que melhor casou com uma produção cinematográfica. Mas... é só uma música. Os coringas e as arlequinas das quebradas não têm salvação a não ser matando-se. Gente imunda, ruim, que ostenta em redes sociais com fuzis, maços de dinheiro e pó, muito pó. Zé Maloqueiro e suas Marias Putianes não querem saber de Bob Dylan nem tampouco pensam em mudar de vida. É aquela vida que querem, até a morte. E, francamente, nesta imundície onde vivemos, não é uma escolha irracional ofertar-se ao crime. A outra opção é subemprego para alimentar o sistema de corrupção, onde apenas políticos, burocratas e empresários amigos do Poder enriquecem. Então é isso: não os julgo, mas não sou obrigado a gostar deles nem a achar óbvio que tenham mortes trágicas. É melhor bandido se trucidando, em brigas entre facções, do que matando trabalhador já ferrado na vida. Um dia, creio, todos os bandidos faccionados do Brasil unir-se-ão e mandarão de vez nesta latrina. Mas isso é outra história para abordar noutra postagem.

Então vamos lá...

Vi no “X” - antigo Twitter - um vídeo curto com o cadáver de Eweline Passos Rodrigues, vulgo Diaba Loira, aos 28 anos de idade, totalmente destroçado. Aparentemente, houve tortura antes da morte. A morte rápida é uma recompensa; tortura é punição. Em O Último dos Moicanos, Daniel Day-Lewis corre contra o tempo para atirar na cabeça do major Ducan antes que o fogo comece a devorá-lo dos pés à cabeça (se bem que, neste caso, o cidadão falece primeiro por sufocamento, devido à fumaça). Em Família Soprano, Tony precisa entregar seu primo, interpretado por Steve Buscemi, à família rival; mas querem o malandro vivo. Tony o entrega, mas não sem antes lhe estourar a cabeça com uma escopeta. O problema nunca foi a morte, mas a morte lenta. E, francamente, não tenho pena das “diabas e diabos loiros” que são torturados por aí, na vida do crime. Felizmente, não os conheço, nem penso neles. Só vejo o resultado da existência dessas pessoas em nosso mundo: podridão. “Do cocô vieste, ao cocô retornarás” — está na Bíblia.


Diaba Loira delirou com o crime e morreu por ele. O fascínio pelo crime não é recente. Acho que sempre esteve incrustado na sociedade. Bandidos tornaram-se celebridades tanto lá fora quanto em nosso país amaldiçoado. Mulheres que molham a calcinha por marginais e homens que se fodem por vagabundas. Aliás, esses dias vi como Suzane von Richthofen está bem, vivendo uma bela história de amor com um médico (profissão de bom status social), enquanto seu irmão Andreas sobrevive com a cabeça em frangalhos. Igor Eduardo Pereira Cabral, que deu 60 (sessenta) socos na cara da namorada, estaria recebendo quase dois mil e-mails de moçoilas querendo lhe dar xota no xilindró. A coisa é por aí... A maioria dos homens e mulheres tem inclinação para a safadeza - especialmente para o crime, acaso tenha a garantia de ganhos e vislumbre pouca chance de punição.

É isso. Que todos os diabos e diabas do crime virem carne moída ainda na flor da idade. Amém.

Abraços "é nóix, parça" e até a próxima.


Arlequinas antes de tomarem um "kit salve da quebrada".


Pastime Paradise, Stevie Wonder, Songs in the Key of Life, 1976



terça-feira, 5 de agosto de 2025

Taffman-EX

Quando eu era guri, meu pai estacionava em frente de nossa casa, buzinava e saíamos para um passeio — quase sempre aos sábados, pela tarde. Ele, em regra, nos levava à banca de gibis do terminal rodoviário, a maior da cidade, onde comprávamos quadrinhos variados (meu irmão escolhia os de heróis; eu, os da Mônica, Recruta Zero produzido nos estúdios da Globo, Turma do Arrepio etc., com raras edições da Disney). Também podíamos pegar um salgadinho Elma Chips e alguma bebida. Nesse ponto, minha mão ia direto para um frasco de Taffman-EX, o hidromel da criançada.

Meu pai não podia entrar na casa que ele mesmo comprou com o suor do rosto, porque havia sido esfaqueado por minha mãe e, desde então, não falava mais com ela — uma senhora narcisista e borderline que nos apresentou o Quinto dos Infernos desde que nascemos. No máximo, ele se sentava na calçada e jogava alguma conversa fora. Ainda hoje está vivo, com 82 anos e bastante saudável — exceto pela perna direita, que nunca mais foi a mesma desde que a fraturou em um tombo. Trata-se de um homem admirável, que passou fome na infância, dormiu nas ruas e, já jovem adulto, edificou o que chamam de império. Mas o decurso do tempo e as circunstâncias acabaram por nos transformar, com o passar dos anos, em quase dois estranhos.

O Taffman-EX é uma bebida dita funcional — seja lá o que isso signifique — criada no Japão pela Taisho Pharmaceutical, com o objetivo de aumentar a energia e o bem-estar. Contém ingredientes como ginseng, cafeína e vitaminas do complexo B. Chegou ao Brasil por meio da Yakult, do mesmo grupo empresarial. Seria uma alternativa leve aos energéticos tradicionais, numa época em que ninguém ligava para energéticos e eu só via Red Bull em comerciais da TV - Red Bull te dá asas... Ganhou público entre a molecada que fazia das tripas coração para comprar um reles vidrinho daquele néctar azedinho que descia tão gostoso e era degustado molhando a língua aos pouquinhos.

Fazia meses que eu não comprava Taffman-EX. Não chegou a completar um ano, mas passou perto disso. E, para minha surpresa, a Yakult mudou a embalagem de vidro para plástico. Ficou estranho, parecendo bem menor (algo que já era pequeno, com seus míseros 110 ml), e o rótulo parece deslocado e enrugado. Foi ao pegar aquele frasco empobrecido, sem o charme do vidro — material destinado a uma “bebida de verdade, nobre” — que percebi como elementos da minha infância realmente se tornaram pó. Pelo menos, o sabor continua o mesmo.

Mas a passagem do tempo também nos traz bons frutos. A Yakult nos maltratava bastante, com seu mini frasco caríssimo de leite fermentado com lactobacilos vivos. No Orkut, quando eu já era adulto, havia até uma comunidade pedindo por Yakult de dois litros. E isso nunca surgiu. No entanto, hoje, temos várias marcas com litrões de leite fermentado de boa qualidade, como a Betânia e a Flamboyant. Chupa, Taisho Pharmaceutical! Agora é só esperar o plágio do Taffman-EX em galões de cinco litros e, finalmente, podermos dormir de alma lavada.

Abraços vitaminados e até a próxima.


quinta-feira, 17 de julho de 2025

Necrófilos

Blogueiro velho desperdiçando tempo. Imagens geradas por I.A.

Vi uma postagem interessante no blog do Fabiano sobre ter ou não domínio próprio. O post surgiu a partir da indagação do Marreta sobre se pagar por um domínio próprio valeria a pena. Deixei lá minha resposta, defendendo que sim, é um investimento que vale a pena, diante do valor exíguo cobrado — dependendo do plano (anual, plurianual etc.).

Quando falo em investimento, não é necessariamente esperando retorno financeiro, mas sim investindo em algo que você gosta de fazer: manter um blogue. No entanto, pode, sim, haver retorno financeiro, caso você opte por monetizar. Fiz o teste de monetização por duas vezes, sendo uma pelo próprio Google AdSense — e não gostei. Muita poluição visual para um retorno pífio. Então, desisti. Mas o blogue continua aprovado para esse fim (monetização), caso eu mude de ideia.

Sobre isso, estou tentando ver se consigo algo via YouTube, pois parece mais viável. Consegui monetizar o canal há pouco tempo e, aos poucos, vai pingando uns centavos. Se o canal sobreviver, poderei sacar uns trocados esporadicamente, a cada US$ 100,00 acumulados. Veremos... Talvez, em breve, até mesmo o Google vaze do Bostil, diante de tanta insegurança jurídica e até mesmo diante da alma podre do bostileiro. Esta várzea faliu, mas poucos perceberam.

De qualquer forma, tanto este blog quanto o vlog já me rendem uma grana. Explico: sem eles, acho que eu teria adoecido mentalmente em vários momentos. Blogar e vlogar são terapias para mim. Logo, talvez eu esteja evitando gastos com psicólogos (nos quais não confio), psiquiatras e medicações caríssimas.

A internet é tão saudável para mim quanto ler, jogar videogame ou ver um bom filme. E, no caso deste site, tenho um carinho enorme por ele. Então, vale sim o “investimento” em domínio próprio, por esse apreço que possuo. Para quem não sabe, aliás, esta é sua segunda versão. A primeira foi removida pelo Blogger. Eu tinha backup das postagens, mas perdi, com isso, todo o histórico de mais de um milhão de acessos acumulados — o que certamente influencia na indicação do site pelos buscadores. Mas estamos aí novamente, engatinhando.

Voltando à postagem do Fabiano: o Marreta nos chamou de necrófilos. Achei bacana a definição. Parece mesmo que quem mantém e consome blogues são necrófilos de uma mídia já não apenas putrefata, mas cujos restos mortais foram cremados e espalhados no ar binário ou no mundo quântico. Pensei até em trocar o nome do meu espaço para “Blog do Necrófilo”, mas aí parariam aqui uma penca de tarados em busca de imagens de defuntas gostosas.

Por que blogamos? Porque gostamos. Porque preenche um vazio específico em nós — algo que precisa ser exprimido — talvez para recordarmos os velhos tempos da internet discada, seus fóruns, Orkut, IRC etc., e, mais especificamente, o HpG — plataforma brazuca de criação de páginas pessoais gratuitas, popular nos anos 2000 e tralalá. Precisávamos montar a página por meio de FTP (File Transfer Protocol). O meu site, naquela época de acesso discado, chamava-se Miscelândia — neologismo com “miscelânea” e “lândia” (land, terra, lugar). Durou pouco mais de um ano, acho.

Então veio a tecnologia Blogger, e a achei excelente: prática e com bons resultados nas ferramentas de busca.

Blogo porque o instante existe / e a minha vida está incompleta. / Não sou alegre nem sou triste: / sou pateta.

É isso.

Curiosamente, pedi à Skynet que definisse o Blog do Neófito, e a resposta foi a seguinte:

O Blog do Neófito é um espaço pessoal dedicado à cultura pop com um toque de erudição. Lá, o autor compartilha reflexões sobre artes, cinema, literatura, quadrinhos, música, séries e outros assuntos variados — sempre com uma pitada de análise ponderada ou ‘verniz de erudição’.

Principais características:

  • Temas diversos: de resenhas de filmes e séries, passando por críticas de HQs e séries literárias, até reflexões sobre músicas, arte e cultura em geral.

  • Abordagem reflexiva: um olhar pessoal e crítico, muitas vezes carregado de digressões e opiniões sólidas, como mostrado nas postagens sobre quadrinhos ou música.

  • Formato misto: textos com profundidade, com publicações regulares que misturam análise, narração de experiências e sugestões culturais em diversos formatos — escritos ou com vídeos/vlogs.

É mais ou menos isso. Nem eu saberia defini-lo. Na verdade, é meu antigo Miscelândia do HpG, apenas numa plataforma diferente. Não dou mais a atenção devida a este espaço, deveras. Mas, mediante o canal no YouTube, consigo trazer gente para cá, mesmo que seja apenas para uma bisbilhotagem marota.

Além disso, falar merda no iutúbi está me servindo mais, emocionalmente, do que escrever. Pode ser apenas uma fase, acho. O tempo dirá.

É isso. Só groselhar um pouco aqui.

Abraços necrófilos a todos — e até a próxima.


quinta-feira, 11 de julho de 2024

O coração amargo de Stephan Crane

Imagens geradas por inteligência artificial

No deserto,
vi uma criatura nua, brutal,
que de cócoras na terra
tinha o seu próprio coração
nas mãos, e o comia…
Disse-lhe: “É bom, amigo?”
“É amargo – respondeu -,
amargo, mas gosto
porque é amargo
e porque é o meu coração.”

Eu desconhecia o poema acima e seu autor, até encontrá-lo na primeira página do miolo da revista Calafrio n.º 01, lançada em 1981. Foi um gibi sempre presente em minha infância, pois era um dos títulos esporadicamente adquiridos pelo meu irmão, depois, li e reli todos os números em scans. Atualmente, o selo Ink&Blood Comics publica o título, mas ainda não tive nenhum exemplar em mãos para avaliar. Enfim: lá no início da Calafrio encontra-se este poema obscuro. Pelo que pesquisei, seu advento à luz em língua portuguesa se deve, massivamente, ao livro As Magias (1987) do lusitano Herberto Helder. Mas é curioso como, seis anos antes, o editor e quadrinista Rodolfo Zalla já epigrafava seu novo título de terror com esses versos tão significativos.

Há alguns anos esse poema me serve para reflexão em momentos sombrios, quando estou preenchido por sentimentos malignos poderosos e sou assediado por entidades obsessoras que, em algum momento de deslize, podem se apoderar integralmente de mim. A criatura nua e brutal pode ser qualquer um de nós, em episódios de tristeza, amargura ou desespero. E o tempo me ensinou que a melhor forma de bater de frente com a amargura é saboreando-a até amaciar o paladar. É como ter contato com micróbios na infância para fortalecer o sistema imunológico ou praticar mitridização, ingerindo doses quase homeopáticas de substâncias letais. Essencialmente: o que não mata, fortalece.

Certamente, alguns creem que devemos buscar a luz para afastar as sombras. E também acredito nisso. Só que nem sempre as luzes são atingíveis. Há problemas para os quais não existem resoluções; e resiliência (palavrinha tão na moda) é a solução, nem que seja abraçando - ou até mesmo degustando - a amargura. Não importa o caminho, desde que você consiga sobreviver em relativa paz. Aliás, nas histórias dos Santos (homens que atingiram níveis mais elevados de existência) nunca houve caminhos de pétalas de rosas, ladrilhos dourados e luz do sol amena: mas muito percalço e sofrimento ao ponto da dor tornar-se lugar-comum. É como tatuar o corpo: só dói nas primeiras vezes. Não há como não recordar o primeiro verso do soneto de Pena Filho: "O quanto perco em luz conquisto em sombra".

Abraços amargurados e até a próxima.


domingo, 19 de maio de 2024

Uma tarde à toa no X, antigo Twitter

Geral
Financiando a cultura indígena
Mundo LGTV
Bye, bye, Europa
Grande mídia e fake news
Cultos e eruditos
Olavo de Carvalho e suas previsões astrológicas
E por último o Chico Bento que o MSP quer esquecer

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Confisco de investimentos financeiros

Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?

Frase atribuída a Groucho Marx

Em postagem anterior, comentei sobre minha descrença no mercado financeiro nacional. Sim, sou um bostileiro médio gastador que não aporta como deveria. Mas ao menos vivo bem. Até me orgulhei de falar isso anteriormente. Realmente, apenas me sobraria bufunfa para aportar em renda fixa e variável se eu limitasse meu padrão de vida, o que não quero fazer. Mas eu errei. Acreditem nos faria fimers: tudo dará certo, sem risco, pois temos segurança jurídica neste setor.

Sobre o tema investimentos, a pedra foi cantada claramente por nosso Supremo Tribunal Federal, por meio de um dos Ministros. Claro, ele falou de forma hipotética e como paradigma no julgamento de uma ação sobre correção de valores dos depósitos no FGTS. Ou seja, o STF passou a fita: nunca poderia haver confisco de bens e renda em nosso País. Por isso, destaco que meu post anterior não tem fundamento algum a não ser as vozes em minha cabeça.

Veja bem: foi apenas uma fala jocosa do nobre Supremo (de acordo com Gilmar Mendes, os caras dali seriam "Supremos") para mencionar a justiça da correção de valores fundiários assim como os "ricos" possuem ganhos gordinhos com seus aportes financeiros. No meio da coisa toda, ele também falou sobre "empatia", "pobres" etc. Ah, Barroso... Grande Ministro Supremo. Poucos recordam que ele foi o advogado de Cesare Battisti, acusado de terrorismo na Itália. O cara apenas aprontou umas brincadeirinhas pesadas por lá, onde alguns intrometidos morreram, mas nada tão grave! Como alguém do grupo  Proletários Armados pelo Comunismo poderia ser má pessoa? Então: o Barroso, nomeado pela ex-guerrilheira Dilma Rousseff, conhecido por seus trabalhos sobre ativismo judicial, nada tem a ver com pensamento comunista. A fala do vídeo foi apenas um "comparativo". É bom deixar isso bem claro, porque o vídeo abaixo está no próprio canal do STF como forma de alertar o culto e inteligentíssimo povo brasileiro que ele não quis dizer o que pareceu querer dizer. Entenderam? A frase teve "contexto"...

É isso. Como diz o Canceroso em Arquivo X: a verdade está lá fora, fatalmente exposta. Noutras palavras: a verdade está com William Bonner, não comigo. Então não procurem verdades aqui. Este é um blogue estilo "Sensacionalista", onde só posto zoeiras.

Abraços supremos e até a próxima.

sábado, 11 de maio de 2024

Crise demográfica, queda de natalidade, colapso etc

Parabéns a Erika Hilton (PSOL): reduziu o sexo feminino a "pessoa que gesta", ganhou no grito e botou todo um Parlamento de frouxos no bolso. É assim que se conduz, realmente, a vida pública: com força, imposição e truculência. Quem acredita em "debates" e democracia liberal é apenas isentão e neoconservador cagão.

A crise demográfica é agora. Infernizaram tanto a vida de homens medianos que eles não procriaram e, agora, não haverá aposentadoria mais para ninguém. Acho que o Estado exterminará sistematicamente idosos solitários e portadores de doenças crônicas. Será esta a única saída de uma Entidade sádica e totalitária para tentar manter a situação razoavelmente sob controle no futuro próximo.

O ocidente se tornou um hospício a céu aberto e quem o criticou foi penalizado pelo establishment: até mesmo com prisão. Aí de quem ousou criticar o excesso de legislação racista, sexista, transfeminista, seja como for. Agora, tanto faz. Os próximos anos serão de miséria; ou de riqueza. Uma transriqueza: pobreza que se dirá nobre, no melhor da novilíngua.

Recordo quando começaram a chamar travestis de transexuais e, logo após, de mulheres trans. O passo seguinte foi passarmos a chamar mulher trans apenas de mulher e, depois, reduzirmos a figura feminina a "pessoas que gestam", como vociferou Erika Hilton recentemente em audiência no Congresso (vídeo acima). Agora não dá para voltar atrás: não há mais diferenças jurídicas, percebo, entre homens e mulheres, desde que se autodeclarem do mesmo sexo. E, para mim, tanto faz. Nos esportes, por exemplo, tornou-se o novo normal ver ex-marmanjo - agora, mulher que não gesta - descendo a porrada em colheres biológicas e, francamente, foram estas que pediram por isso. Quem mais vota em pauta progressista que incha o Estado é justamente o mulheril: porque, de imediato, também as beneficia, com normas especiais para si, como, por exemplo, tipificação de crimes vagos, facilitadores do oportunismo (e.g.: violência psicológica).

A conta do "X" abaixo, pertence a um português, creio. Gosto de acompanhar a situação da Europa por postagens pessoais de portugueses e espanhóis. É impressionante como parece não haver lugar aonde fugir, pois "nova ordem" não é também "mundial" à toa. A situação portuguesa com imigração e crise no sistema assistencial é alarmante. Mas voltando: na cena, uma mulher que não gesta conseguiu se tornar mãe de um saudável bebê (Deus zele pela alma desse inocente) e, para isso, o hospital precisou simular o parto. A mamãe recebeu o rebento, recém saído de seu útero psicológico, da enfermeira, para a primeira amamentação. É uma cena tão fofa que nosso coraçãozinho lateja e quase sai pelo cu.

Por fim, os parabéns não vão apenas para Erika Hilton, mas a todos os envolvidos que sempre acharam normal espetáculos como o do vídeo abaixo, a quem aplaudiu reforços à Lei Maria da Penha, cotas sexistas e racistas e políticas afirmativas, classificação da "mulher biológica" como "pessoa que gesta" e tantas outras asneiras que, em tempos austeros, nada importarão, quando a única preocupação diária será procurar comida.

Transabraços e até a próxima.

 


segunda-feira, 6 de maio de 2024

Enigmas de minha infância: Nossa Turma e Cavalo de Fogo


Fã-arte por Rubio, em ArtStation

"E vi um cavalo mágico chamado Cavalo de Fogo"

"Levante-se com a nossa turma
Vamos, suas aventuras não tem fim" 

Cavalo de Fogo é um enigma sem resolução aparente que, mesmo nesta condição, ratifica como nossa infância foi mágica com tão pouco. Explico: o desenho foi exibido à exaustão, durante anos a fio, no SBT, e não perdíamos um episódio. A jovem heroína Sara – olhaí a representatividade feminina sem forçação de barra – montava seu corcel encantado e, assim, partia do rancho terreno onde vivia com seu pai e, após um grande salto no portal aéreo, chegava ao reino de Dar-Shan, onde enfrentava, todas as vezes, as malfadadas trapaças dos diabretes leais à sua própria tia: a maquiavélica Diabolyn, uma espécie Perpétua Esteves (a tia de Tieta) do universo colorido.

Mas qual o mistério desse desenho oitentista? É que ele teve apenas 13 (treze) episódios. Ficamos anos e anos revendo os mesmos episódios sem nos entediarmos. Outro grande exemplo é o magnífico Nossa Turma, onde animais antropomórficos do Bem reúnem-se num vagão de trem (o clubinho) e enfrentam as idiotices da dupla de jovens rebeldes Catchum e Leni. Para mim, o desenho seria infinito. Mas a internet me disse, eras após, que foram apenas 13 episódios (divididos em dois segmentos, o que daria o dobro de histórias, por assim dizer).

Pensei nisso porque minha filha começou a se interessar pelo animé One Piece e cogitei lhe dar uma força, assistindo junto. Mas então vi que há mais de 1000 (mil) episódios e, na minha idade, é inviável acompanhar algo assim. Também pensei como crianças e adolescentes processarão tanta informação despejada de maneira tão veloz de forma incessante. Não dá para processar! Víamos e revíamos as mesmas coisas repetidas vezes. Como o acesso a gibis era restrito, por exemplo, relíamos os mesmos diversas vezes, até virarem pó. E fazíamos o mesmo com os poucos filmes e séries (animadas ou não) ofertados na TV aberta. Daí nossa memória tão forte com aqueles produtos culturais. Esses dias percebi que não adianta eu ver filmes e séries em serviços de streaming, porque após uns dias não lembro quase mais nada, apenas de fragmentos. É tudo muito “tanto faz”. A limitação no consumo de informação é imprescindível! Aliás, este é um dos motivos porque estou revendo filmes e relendo livros e gibis, evitando coisas novas.

Em tempo: a abertura de Nossa Turma nunca teve versão em português, nos fazendo cantar “guerealonguem” todos os dias. E Cavalo de Fogo teve uma versão marcante, na voz da falecida dubladora Maria da Penha Esteves, que também dublava o cavalinho Brutus no desenho (v. Wikipédia).

Vou ficando por aqui. Abraços guerealonguens e até a próxima.


Abertura brasileira de Cavalo de Fogo


Abertura original de Cavalo de Fogo


Abertura original de Nossa Turma

terça-feira, 23 de abril de 2024

Gossip Old Man - O Coroa do Blog

Não acesso muito Instagram e o deixo totalmente no silencioso. Aliás, tudo em meu telefone é no silencioso há anos e anos. Mas no caso do Instagram não recebo nem notificação. Então o vejo esporadicamente, quase uma vez por dia. Foi curioso que, ali, cheguei a receber mensagens de pessoas desconhecidas, adicionadas porque me adicionaram. Quando passei mais tempo sem postar nada, fui perguntado por esses estranhos se abandonaria o blogue etc. "Meu Deus, quem são essas pessoas que nunca comentaram no site?". Internet ainda me é algo curioso. E essas interações me fizeram pensar a respeito de algumas coisas.

Foi bom ter nascido numa época analógica, com limitações no acesso à informação e, hoje, na maturidade, ter acesso à internet em alta velocidade. É que, assim, cresci numa infância saudável, sem bitolação de redes sociais, com bastante tempo livre para estar nas ruas brincando; e, na adolescência, jogando conversa fora com os amigos. As diversões eletrônicas, aliás, eram caras e limitadas. Então só restava bestar, fica à toa, esperar algum filme exibido "pela primeira vez na televisão" na Tela Quente, lendo gibis e livros diversos escolhidos sem critério algum: o que caía às mãos. E, na maturidade, tivemos acesso à estrada do futuro. Pude criar, assim, uma história com a internet, desde os primeiros acessos em modem de 56 kbps até o advento da banda larga.

Minha história com a internet e como a utilizei para interação pode ser conferida na apresentação do blogue. Ali, percebemos como tão rapidamente plataformas surgiram e sumiram, quase do dia para a noite. E creio que um dia será vez do Blogger. Algum dia, seremos apenas avisados que dentro de um mês esta tecnologia encerrará. Isso me faz pensar que os estranhos que me perguntam sobre este espaço estão querendo apenas saber se eu não cansei desta merda e que a internet seria mais limpa sem o empreendimento Neófito Publicações Recreativas Corporation - ou apenas "N.P.R.C.".

Ainda acho espantoso que um site pessoal vingue em tempos de consumo de informação por vídeos, em lugares como YouTube, TikTok e Instagram. Algumas pessoas teimam em ler blogues e, aqui, consigo uma média de cinco mil acessos ao mês, às vezes um pouco mais; noutras, menos. Na era de ouro deste chiqueiro, a média era de 2000 views ao dia. Consegui até mesmo ser monetizado pelo próprio Google AdSense, o que achei estranho, pois havia me rejeitado antes e depois de muito tempo me enviou e-mail para habilitar. Ainda tentei monetizar tanto pelo próprio Google quanto por outro serviço. Mas as propagandas poluíam tudo a tal ponto de me dar agonia. Como blogues pagam uma merreca, resolvi excluir os anúncios definitivamente.

Naturalmente, tentei ir para o YouTube, fazendo backup no Rumble. Mesmo esta empresa tendo vazado daqui devido à censura, os vídeos continuavam sendo upados lá, podendo ser acessados por aplicativos de celular (não entendo o porquê); ou, se via Windows, com VPN. Mas esta semana solicitei o encerramento da conta e, logo, de todos os vídeos ali guardados. Me pediram 30 dias para efetivar a solicitação. Fiz isso por não desejar guardar meu conteúdo. Se algum dia o YouTube me banir, tanto faz. Que desapareçam com tudo ali postado. E tomei a mesma resolução com este blogue. Procurarei mantê-lo vivo, mas não farei mais backup de nada. Salvei apenas resenhas de livros por me servirem como fichários. O resto não importa. Se tudo acabar enquanto eu estiver vivo, que seja.

Abraços blogueiros e até a próxima.


Dados colhidos recentemente 👆


quinta-feira, 11 de abril de 2024

Diálogos cabulosos


Eu vou dar minha buceta bem devagarinho
Mas o que eu quero mesmo é piroca no cuzinho

- MC Cecilinha Meireles, em Serenata da Cremosa

Mete com força e com talento
Estou ofegante e você percebendo
Bate e maltrata essa puta safada
Quero jatada de leite na cara

- MC Manuel Bandeirola, em Bonde da Estrela da Manhã

O inelegível Bolso, ingênuo, teve quatro anos para tocar o terror na extremíssima esquerda radical. Mas preferiu jogar "dentro das quatro linhas da Constituição" e hoje em dia vende perfume com Viagra enquanto pernoita chorando em embaixadas, mendigando pix dos patriotários.

Bozo não dilapidou o Erário comprando apoio político e mesmo durante a pandemia fechou as contas no azul. Claramente, um mané. Para alguém que estava na política durante décadas, bobalhão até demais. Oposição a gente destrói: cassa mandatos e reputações, põe no xilindró, prega o terror. Depois é só contar a história de seu jeito e pelos canais certos. Vozes dissonantes, você silencia. O Xandão está aí para isso: calar a boca de quem discordar. O que vale é a narrativa e o Senado tem o rabo preso, mantendo-se pianinho. Obviamente, Xândi foi escolhido por seus pares para essa função. Seus pares "Supremos" - lembrando do Gilmar Mendes, que já afirmou "Nós somos Supremos, ora" e "Estamos irmanados com o Xandão". É isso aí. E são mesmo Supremos, nesta republiqueta de frouxos, onde CACs com poder de fogo superior a todas as polícias enfiam os canos das armas nos próprios cus, enquanto aguardam o fechamento dos clubinhos de pipoco.

Chamar Lula - ou qualquer um dos seus - de ladrão, agora, dá cadeia. Sempre valeu xingar político no Bananil; mesmo com um pirocão no rabo, o brasileiro podia ao menos xingar. Mas esta fase acabou. O "novo normal" é ficar pianinho. O Procurador-Geral da República, nomeado pelo marido da Janje, fichou o Deputado mais votado do Bostil por esse motivo - Nikolas Ferreira, chamado de "chupetinha" pela turma do amor, ousou xingar o Presidente do Bostil. E o Ministro Fux, um dos Supremos, nomeado por Dilma Estoca-Vento, autorizou a abertura do inquérito. Acho que "Nicole" será jogado no xilindró, junto com os "patriotas". Vai tricotar com as velhinhas condenadas a dezessete anos de cana. Precisará de muita chupetinha no presídio em troca de cigarros - acaso fume, claro.

Falando ainda em ladrão, Lule teve 80,59% dos votos entre detentos. Eu pensei que ele vetaria o desejo popular contra as saidinhas porque teria uma dívida com seu eleitorado encarcerado. Mas não. Ele vetou por motivos nobres: "o princípio da dignidade da pessoa humana" e "proteção à família". Sim, foram esses os nobres motivos, conforme Lewandowski - atual Ministro da Justiça e Supremo-Aposentado, amigo de Lule - anunciou.

Enquanto o rola-bosta brazuca discute por aí como Elon Musk - ou Herlôn Músgue, na linguagem do populacho - ousou sugerir que vivemos numa ditadura, achando que painho Lule vai mandar prendê-lo, o Governo Fodegeral (e espero que foda mais e sem KY) cortou mais de 4 bilhões, no orçamento, em áreas como saúde, educação e tecnologia, pois não poderia cortar de viagens, mimos diversos como móveis novos, ministérios e cargos inúteis.

Lula e seus asseclas são os governantes que este chiqueiro merece. Se eu soubesse que eles retornariam para arregaçar tanto - e em tão pouco tempo - a espelunca auriverde, Molusco teria meu voto! É assim que se gerencia o monturo: com narrativas e perseguição aos oponentes; e com as ruas entulhadas de marginais (profissionais, fardados etc.), com som alto nas calçadas tocando pancadão e motocicletas dando grau com escapamento frouxo.

Abraços supremos e até a próxima.