terça-feira, 17 de março de 2026

Days Gone


Days Gone é um jogo de ação e sobrevivência em mundo aberto no qual jogamos com Deacon St. John, um motoqueiro que vive em um cenário pós-apocalíptico após uma pandemia transformar grande parte da população em criaturas chamadas freakers (frenéticos: humanos viçosos que vagam pelo mundo alucinados, movidos pelas necessidades básicas de comer, dormir e defecar em seus ninhos e cavernas). Enquanto enfrentamos hordas de infectados, grupos humanos hostis e a escassez de recursos, cruzamos estradas perigosas em nossa motoca em busca de sobrevivência e de respostas sobre o paradeiro de nossa loirinha gostosa, Sarah, guiados pela esperança de reencontrá-la e encontrar algum sentido em meio ao caos.

Quando comprei meu console PS4, veio de brinde a mídia física desse jogo. Não achei interessante a jogatina inicial e o coloquei de lado. Então, minha esposa jogou tudo, zerando-o em uma semana, e me afirmou que foi meio cansativo e chato em muitos momentos, mas que valia a pena para entreter. Resolvi, então, jogar e confesso que gostei. Havia, claro, o problema da audácia do mundo aberto. Explico: é, no mínimo, audacioso planejar um game em mundo aberto, pois como você irá preenchê-lo? Não é fácil preencher um mundo aberto para exploração sem coisas bacanas. Em Red Dead Redemption II, por exemplo, as cavalgadas valem a pena, pois você não apenas topará com eventuais sidequests tenebrosas, mas também com itens curiosos, pedaços de histórias e a evolução do mundo em si (por exemplo, uma casa sendo aos poucos edificada) etc.

Days Gone foi pobre quanto ao mundo aberto. No máximo, você topará com bandidos aleatórios, acampamentos de emboscada e algumas paisagens legais. Aliás, falando nestas, muitas foram inspiradas em locais reais, a exemplo da Crater Lake, localizada no Oregon. A Ilha Wizard, no jogo, é sua reprodução fiel, com ambientação apocalíptica, claro. Raramente, você encontrará algo interessante a ser analisado pela possível história oculta por trás daquilo tudo, como, por exemplo, quando topei com um acampamento cheio de corpos recém-chacinados, um cidadão à frente de uma mesa com ursinhos de pelúcia e, à frente, escrito: "Please forgive me".

Mas, enfim... Vi a notícia da remasterização do jogo para PS5 e, obviamente, não comprei. Não pagaria 50 janjas em uma safadeza da Sony. Mas a notícia me deu vontade de jogar novamente, desta vez no modo New Game Plus (com todas as melhorias anteriores mantidas, da primeira vez que joguei). E foi interessante, pois adquiri todas as habilidades possíveis, ganhei todos os troféus convencionais (embora não ligue tanto para isso, foi fácil no modo NG+) e, finalmente, deixei minha moto como queria: topíssima. Aproveitei e fiz as últimas melhorias no acampamento Diamond Lake, inclusive com o tanque de gasolina em homenagem ao jogo Death Stranding, com o bebê flutuando em seu interior. Com as melhorias, a moto dá saltos insanos e também pude, finalmente, fazer o “desafio” Burnout Apocalipse (usar nitro e derrapar ao mesmo tempo na moto por pelo menos cinco segundos).

Encarnar Deacon St. John foi, novamente, divertido. Dizimei todas as hordas do jogo, atendi a todos os pedidos de serviço extra dos donos de acampamentos e resgatei muitos NPCs em apuros. Também pude experimentar armamentos que só se liberam no modo NG+, a exemplo de um rifle com gás letal. No vídeo acima, gravei cinco minutos do final de tudo, em que apresentei a motoca nos trinques, habilidades e troféus e, findo tudo, fiz o que sempre costumo fazer quando jogo em mundos abertos: fui para casa, olhei em volta, despedi-me de tudo e me deitei. 

Boa noite, Deacon.

Abraços frenéticos e até a próxima.


Perdoá-lo de quê? Creio que executou toda a família e depois estourou os miolos.


Paisagem real no Oregon. Abaixo, o resultado encontrado no jogo.



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Viajando de John Mellencamp a Michael Jackson

Próximo ao final do ano passado, escrevi uma postagem sobre música. No caso, recordei Annie Lennox e minha infância mágica com a TV aberta. Há alguns dias, precisei viajar para cuidar de assuntos de saúde. No caso, minha esposa está com problemas recorrentes no útero que, se não tratados regularmente, podem evoluir para câncer. Enfim: fatos da vida. Levei-a a uma cidade com bom apoio a cuidados médicos e duas ginecologistas, pela segunda vez, removeram as lesões pré-cancerosas. Aparentemente, não há motivos para muita preocupação, pois parece ser algo comum em mulheres, e a medicina anda avançando no acompanhamento e no tratamento dessas ocorrências.

Mas vamos falar de música. No retorno, deixei rolando uma playlist que havia deixado no offline do YouTube Music. Então começou o riff composto pelo próprio John Mellencamp para Hurt So Good. E, meus caros, não há como negar que, ao menos para ouvidos leigos como os nossos, ele parece bastante com a guitarra de Bill Bottrell para a magnífica Black or White, de Michael Jackson. De acordo com Bill Bottrell, a melodia do riff lhe foi repassada pelo próprio Michael, por meio de sons vocais. Ele apenas a adaptou para a guitarra. Plágio? Não sei. Perguntei ao ChatGPT se seria cópia, e a resposta foi a seguinte:

Não há consenso, nem decisão oficial, de que o riff de Bill Bottrell em Black or White seja plágio de John Mellencamp ou de Hurt So Good. O que existe é uma semelhança perceptível, especialmente no uso de acordes abertos, ritmo marcado e pegada rock direta — algo muito comum no rock e no pop rock dos anos 1980 e início dos 1990. Esses elementos fazem parte de um “vocabulário” musical bastante explorado na época. Para leigos, é como comparar frases feitas: soam parecidas porque usam estruturas conhecidas, não porque uma foi copiada da outra. Até hoje, não houve ação judicial, reconhecimento público de plágio ou atribuição indevida aceita pela indústria. O mais seguro é dizer que o riff de Black or White foi influenciado pelo rock americano, do qual Mellencamp é um expoente, mas influência não é sinônimo de plágio.

O que eu, como leigo, acho? Acho que tudo, há um bom tempo, é cópia de cópias, mesmo que de forma inconsciente. Parece que tudo o que poderia ser explorado nos diversos campos culturais já o foi. O que muda, agora, é a forma como você contextualiza tudo. Isso me recorda o que falei em A Mensagem Final, em David Boring, há cinco anos. Em um ponto da história, David (o protagonista) diz a seu tio-avô, August Brown, ser produtor de filmes (uma mentira, de certa forma). O velho lhe responde: “Lembre-se do que dizem: todas as histórias já foram contadas. Então, se você precisar contar uma, conte direito!”. E o quadrinho de Clowes foi exatamente isso: a mesma história de sempre, contada “direito”, de uma forma apenas nova e melhor contextualizada para um dado tempo. Assim é na música, no cinema, nas séries, nos quadrinhos etc.

Voltei para casa, após ouvir John Mellencamp e sua guitarra, lembrando-me de como toda a discografia de Michael Jackson foi importante para mim. Tínhamos Thriller e Bad em vinil, quando guris. E, ainda adolescente, comprei o CD Dangerous, após passar bastante tempo juntando dinheiro. CD original era algo caríssimo! Guri, a melhor canção do álbum, para mim, era Black or White. Já adulto, passou a ser Who Is It (cujo clipe foi dirigido por David Fincher — sim, o mesmo de Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social). Fincher manteve bastante contato com o mundo da música, sempre com um estilo, em seus clipes, de noir moderno, com tons frios e iluminação dramática (exemplos que trago logo abaixo desta postagem, em clipes selecionados).

Assim que cheguei em casa, botei o CD para rodar — o mesmo comprado quando eu era adolescente. Logo, é um objeto que está comigo há quase três décadas (vídeo abaixo), tanto o encarte quanto o disco. E então é isso... Voltei de uma viagem e voltei no tempo. Inclusive, essa viagem no tempo demorou bastante, tanto que estou embarcado nela até agora, enquanto escrevo esta postagem. Lembro até mesmo que comprei o CD na antiga loja Comeg Center, situada na Avenida Rio Branco, após o almoço, quando retornava ao colégio para uma segunda bateria de aulas vespertinas (era assim três vezes por semana). Que avenida importante para mim, a propósito... pois também era nela que estavam as duas principais bancas de revistas onde eu comprava gibis!

Bem, é isso. Abraços plagiados e até a próxima.

Meu exemplar:

   
Hurt So Good:

   
Black or White:

   
Clipes mencionados dirigidos por David Fincher: