É curioso como as lembranças podem nos pregar peças. Dias atrás, um colega de longa data puxou conversa sobre Phil Collins. Nunca fui grande fã dele, tampouco do Genesis. Mas, na hora, afirmei com convicção que Another Day in Paradise tinha me marcado bastante no filme Admiradora Secreta (Secret Admirer, 1985), um clássico da Sessão da Tarde. Aquele pianinho mexia comigo na época.
Foi então que ele me cortou: "Essa música não toca no filme. Acho que nem existia na época."
Nada que uma rápida busca no Google não resolvesse. E, de fato, ele estava certo. Nada a ver. Mas por algum motivo, aquele piano sempre me remeteu a Another Day in Paradise, lá nos recônditos da minha memória. Especialmente quando a melodia se repete no final do filme. Acontece que a trilha, na verdade, é uma composição do brilhante Jan Hammer, um tecladista checo excepcional.
Enquanto ouvia mais algumas de suas músicas, me peguei refletindo sobre o estado atual do cinema: filmes genéricos, trilhas sonoras sem alma, a completa ausência de encanto. E por acaso, encontrei o filme completo no YouTube, com a dublagem clássica. Valeu a pena revisitar aquela época—o humor leve, a sensibilidade, os rostos familiares como C. Thomas Howell e a saudosa Kelly Preston, musa de incontáveis adolescentes. RIP, Preston. RIP, cinema.
Éramos tarados pela Deborah. Mas amávamos a Toni.
E, no fim das contas, Alguém Muito Especial (1987) ainda me parece uma releitura mais dramática desse belo e simples filme. E para complicar ainda mais, Alguém Muito Especial é, na verdade, um novo olhar de John Hughes sobre A Garota de Rosa-Shocking (1986).
Ah, o cinema teen oitentista...
Abraços e até a próxima.
Post scriptum:
Para quem não compreendeu quando afirmei que "Alguém Muito Especial é, na verdade, um novo olhar de John Hughes sobre A Garota de Rosa-Shocking (1986).", vamos lá...
Em A Garota de Rosa-Shocking, a mudança de tom entre o roteiro de John Hughes e a versão do Diretor alterou o sentido central da história. O texto original partia de um registro mais seco e "agridoce" (realista, pé no chão), interessado em desigualdade social e em afetos não recompensados. Assim, o personagem Duckie (Jon Cryer) era o centro emocional do filme e justamente por isso terminava com Andie (Molly Ringwald). A ideia era afirmar que constância, amizade e afinidade emocional também são formas legítimas de vitória romântica.
A versão filmada mudou esse eixo. Duckie passa a ocupar o lugar do amigo fofuxo, engraçado e excêntrico - útil como alívio cômico, mas descartável como escolha amorosa. Termina sozinho, num fechamento que funciona quase como correção narrativa de sua inadequação social. O foco retorna ao casal mais convencional e socialmente aceitável ao paladar do grande público, e o conflito de classe perde densidade, reduzido a um obstáculo temporário resolvido pelo gesto romântico final.
Hughes “corrige” esse desvio em Alguém Muito Especial ao reorganizar a mesma equação dramática com controle autoral. A história recoloca no centro a personagem leal, silenciosa e emocionalmente constante - agora sem ironia nem punição narrativa. O par socialmente mais vistoso deixa de ser o destino natural do romance, e o filme assume, de forma direta, que maturidade afetiva e afinidade construída no tempo valem mais do que status ou aparência.
É complicado. Compreendo a visão que o escritor tentou dar à sua obra primeva. Mas, também convenhamos, no mundo real uma Andie preferiria ficar sozinha a ter que aceitar um Duckie como prêmio de consolação por não ter o riquinho bonitão.
1) Transitoriedade: o esquecimento causado pelo simples passar do tempo; 2) Distração; 3) Bloqueio: quando, por exemplo, não conseguimos nos lembrar do nome de alguém que conhecemos bem; 4) Atribuição equivocada: a sensação de que nos recordamos de algo que, na verdade, não aconteceu; 5) Sugestionabilidade: o registro de informações errôneas recebidas de terceiros; 6) Distorção: mudanças de acontecimentos do passado com base em crenças do presente; 7) Persistência: a incapacidade de nos livramos de de determinadas recordações, que se tornam obsessivas.
Arquivo X explica tudo isso em "A Arte Perdida da Testa Suada" kkkk Recomendo que assista. Dá para encontrar on line por aí. Episódio maravilhoso sobre quando as memórias nos traem. Vida longa a Molly!!!!!!! Abraços!
Ahhh, a Molly Ringwald.... a Garota da Bucetinha Rosa... quantas punhetas já não toquei em sua homenagem? E do cinema teen oitentista, o meu preferido : O Clube dos Cinco (The Breakfast Club), também com a bela Molly. Uma curiosidade : no Garota de Rosa-Shocking, está o ator (bem novinho então) que fez o Alan Harper, irmão fracassado do mais do que bem sucedido em xavascas Charlie Harper, do Two and a Half Man.
Fala, Marreta. Então o imberbe Arazão se acabava na bronha até mesmo para filmes juvenis. kkk Acho que a única vez onde sensualizaram a Molly foi n'O Clube dos Cinco, quando mostram a calcinha dela, um clássico upskirt! Mas pode se tratar de uma dublê rosadinha como ela. Sim, tratava-se do Jon Cryer!
Scant, imagine a surubas que rolavam nesses ambientes de gravação...
Os sete pecados da memória (Dan Schacter) -
ResponderExcluir1) Transitoriedade: o esquecimento causado pelo simples passar do tempo;
2) Distração;
3) Bloqueio: quando, por exemplo, não conseguimos nos lembrar do nome de alguém que conhecemos bem;
4) Atribuição equivocada: a sensação de que nos recordamos de algo que, na verdade, não aconteceu;
5) Sugestionabilidade: o registro de informações errôneas recebidas de terceiros;
6) Distorção: mudanças de acontecimentos do passado com base em crenças do presente;
7) Persistência: a incapacidade de nos livramos de de determinadas recordações, que se tornam obsessivas.
https://www.scantsa.com/2020/02/livro-aumente-o-poder-do-seu-cerebro.html
pelo menos Molly Ringwald ainda vive.
Excluirabs!
Arquivo X explica tudo isso em "A Arte Perdida da Testa Suada" kkkk Recomendo que assista. Dá para encontrar on line por aí. Episódio maravilhoso sobre quando as memórias nos traem. Vida longa a Molly!!!!!!!
ExcluirAbraços!
Ahhh, a Molly Ringwald.... a Garota da Bucetinha Rosa... quantas punhetas já não toquei em sua homenagem? E do cinema teen oitentista, o meu preferido : O Clube dos Cinco (The Breakfast Club), também com a bela Molly.
ResponderExcluirUma curiosidade : no Garota de Rosa-Shocking, está o ator (bem novinho então) que fez o Alan Harper, irmão fracassado do mais do que bem sucedido em xavascas Charlie Harper, do Two and a Half Man.
não fala assim dela!
Excluirtenho certeza que ela continua pura e casta até hoje...
Fala, Marreta.
ExcluirEntão o imberbe Arazão se acabava na bronha até mesmo para filmes juvenis. kkk
Acho que a única vez onde sensualizaram a Molly foi n'O Clube dos Cinco, quando mostram a calcinha dela, um clássico upskirt! Mas pode se tratar de uma dublê rosadinha como ela.
Sim, tratava-se do Jon Cryer!
Scant,
imagine a surubas que rolavam nesses ambientes de gravação...
Abraços!