terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Viajando de John Mellencamp a Michael Jackson

Próximo ao final do ano passado, escrevi uma postagem sobre música. No caso, recordei Annie Lennox e minha infância mágica com a TV aberta. Há alguns dias, precisei viajar para cuidar de assuntos de saúde. No caso, minha esposa está com problemas recorrentes no útero que, se não tratados regularmente, podem evoluir para câncer. Enfim: fatos da vida. Levei-a a uma cidade com bom apoio a cuidados médicos e duas ginecologistas, pela segunda vez, removeram as lesões pré-cancerosas. Aparentemente, não há motivos para muita preocupação, pois parece ser algo comum em mulheres, e a medicina anda avançando no acompanhamento e no tratamento dessas ocorrências.

Mas vamos falar de música. No retorno, deixei rolando uma playlist que havia deixado no offline do YouTube Music. Então começou o riff composto pelo próprio John Mellencamp para Hurt So Good. E, meus caros, não há como negar que, ao menos para ouvidos leigos como os nossos, ele parece bastante com a guitarra de Bill Bottrell para a magnífica Black or White, de Michael Jackson. De acordo com Bill Bottrell, a melodia do riff lhe foi repassada pelo próprio Michael, por meio de sons vocais. Ele apenas a adaptou para a guitarra. Plágio? Não sei. Perguntei ao ChatGPT se seria cópia, e a resposta foi a seguinte:

Não há consenso, nem decisão oficial, de que o riff de Bill Bottrell em Black or White seja plágio de John Mellencamp ou de Hurt So Good. O que existe é uma semelhança perceptível, especialmente no uso de acordes abertos, ritmo marcado e pegada rock direta — algo muito comum no rock e no pop rock dos anos 1980 e início dos 1990. Esses elementos fazem parte de um “vocabulário” musical bastante explorado na época. Para leigos, é como comparar frases feitas: soam parecidas porque usam estruturas conhecidas, não porque uma foi copiada da outra. Até hoje, não houve ação judicial, reconhecimento público de plágio ou atribuição indevida aceita pela indústria. O mais seguro é dizer que o riff de Black or White foi influenciado pelo rock americano, do qual Mellencamp é um expoente, mas influência não é sinônimo de plágio.

O que eu, como leigo, acho? Acho que tudo, há um bom tempo, é cópia de cópias, mesmo que de forma inconsciente. Parece que tudo o que poderia ser explorado nos diversos campos culturais já o foi. O que muda, agora, é a forma como você contextualiza tudo. Isso me recorda o que falei em A Mensagem Final, em David Boring, há cinco anos. Em um ponto da história, David (o protagonista) diz a seu tio-avô, August Brown, ser produtor de filmes (uma mentira, de certa forma). O velho lhe responde: “Lembre-se do que dizem: todas as histórias já foram contadas. Então, se você precisar contar uma, conte direito!”. E o quadrinho de Clowes foi exatamente isso: a mesma história de sempre, contada “direito”, de uma forma apenas nova e melhor contextualizada para um dado tempo. Assim é na música, no cinema, nas séries, nos quadrinhos etc.

Voltei para casa, após ouvir John Mellencamp e sua guitarra, lembrando-me de como toda a discografia de Michael Jackson foi importante para mim. Tínhamos Thriller e Bad em vinil, quando guris. E, ainda adolescente, comprei o CD Dangerous, após passar bastante tempo juntando dinheiro. CD original era algo caríssimo! Guri, a melhor canção do álbum, para mim, era Black or White. Já adulto, passou a ser Who Is It (cujo clipe foi dirigido por David Fincher — sim, o mesmo de Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social). Fincher manteve bastante contato com o mundo da música, sempre com um estilo, em seus clipes, de noir moderno, com tons frios e iluminação dramática (exemplos que trago logo abaixo desta postagem, em clipes selecionados).

Assim que cheguei em casa, botei o CD para rodar — o mesmo comprado quando eu era adolescente. Logo, é um objeto que está comigo há quase três décadas (vídeo abaixo), tanto o encarte quanto o disco. E então é isso... Voltei de uma viagem e voltei no tempo. Inclusive, essa viagem no tempo demorou bastante, tanto que estou embarcado nela até agora, enquanto escrevo esta postagem. Lembro até mesmo que comprei o CD na antiga loja Comeg Center, situada na Avenida Rio Branco, após o almoço, quando retornava ao colégio para uma segunda bateria de aulas vespertinas (era assim três vezes por semana). Que avenida importante para mim, a propósito... pois também era nela que estavam as duas principais bancas de revistas onde eu comprava gibis!

Bem, é isso. Abraços plagiados e até a próxima.

Meu exemplar:

   
Hurt So Good:

   
Black or White:

   
Clipes mencionado dirigidos por David Fincher:

   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente ou bosteje.