quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Meu canal no YouTube


Esta é a terra de ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Eu sou metal
Raio, relâmpago e trovão

Achei interessante colocar os versos de Legião Urbana em epígrafe a esta postagem por duas razões: a) porque gosto da banda e b) porque isso tem a ver com minha insistência em manter um blogue há mais de uma década e meia. Na verdade, dois blogues, pois este é o segundo, uma vez que o primeiro foi removido pelo Google justamente no auge da blogosfera por “descumprimento das diretrizes da comunidade”, sem que nunca tenha informado quais foram. Criei tudo novamente a partir de um backup, aproveitando para manter apenas o que queria e deixando muita coisa supérflua de lado. Na época, estava nesse ímpeto de ser “metal, raio, relâmpago e trovão”. Hoje em dia, tô meio borracha fraca. Se este blogue cair novamente (e meu canal também), não tentarei mais. Sairei da vida bloguerística, pois estou velho demais para ficar lutando contra robôs de big techs.

Mas vamos lá... Há sete anos, o Vlog do Neófito nasceu como apêndice deste blogue. A ideia, inicialmente, era modesta: utilizar o YouTube como ferramenta de suporte, sobretudo para inserir vídeos nas postagens. Em vez de encher uma matéria com fotografias, bastava subir o vídeo e deixá-lo ali, incorporado ao texto. Durante um bom tempo, foi exatamente isso: o blogue era a casa; o YouTube, mero depósito.

Aconteceu, porém, uma inversão. Quando passei a produzir vídeos próprios para acompanhar e divulgar matérias publicadas no blogue, o canal começou a devolver o favor. O que deveria apenas servir de suporte passou a levar gente para cá. E, pouco a pouco, deixou de ser mero suporte. Hoje, o canal no YouTube é minha principal plataforma para produção de conteúdo fecal (para alguns) ou legal (para outros).

É isso. O canal ganhou independência, passou a receber conteúdo produzido especificamente para ele e acabou se transformando na principal plataforma de compartilhamento. O blogue continua existindo — e continua sendo importante —, mas já não ocupa sozinho o centro da produção. A antiga ferramenta auxiliar ganhou vida própria e, agora, suporta sobre suas costas o blogue que lhe deu origem.

Os números ajudam a contar essa pequena história. Em sete anos, o canal chegou a 551.093 visualizações, acumulou 38,4 mil horas de exibição e ultrapassou 5 mil inscritos, chegando a 5.034 no momento desta análise. A receita estimada acumulada aparece em US$ 369,74. E há um dado especialmente interessante: nas últimas 48 horas, o canal registrava 1.653 visualizações. Sim, estou sendo bastante transparente sobre tais estatísticas para quem pretende se aventurar no YouTube. Os ganhos são mesmo pífios para quem é uma gota d’água naquele oceano de exabytes de vídeos e músicas. Dizem que já houve um tempo em que era fácil embolsar dinheiro com o Google AdSense; mas isso já era. Quem não for gigante e não mantiver parcerias com marcas patrocinadoras dificilmente verá bufunfa regularmente na plataforma. Mas, como costumo dizer, já que gosto de groselhar, ao menos monetizar alguns trocados é ainda melhor, mesmo que seja apenas o dinheiro do cafezinho espresso que tanto adoro. Pior do que isso é ficar alimentando plataformas como Facebook e Instagram em troca tão somente de mera exposição.

E mais dados: nos últimos 28 dias, 47,9% das visualizações vieram dos recursos de navegação do próprio YouTube, 16,9% da pesquisa e 14,4% dos vídeos sugeridos. Ou seja: aquilo que começou como um mero instrumento para o blogue passou a encontrar público por conta própria, dentro da própria plataforma.

Repaginando. Foi uma “inversão” curiosa. O blogue ajudou a criar o canal. O canal, depois, passou a ajudar o blogue. E agora o canal chegou ao ponto de caminhar com as próprias pernas, levando o site pelas mãos. Ou melhor: arrastando-o, uma vez que blogues são, convenhamos, espaços mortos, embora zumbificados. Falei melhor sobre isso na postagem “Necrófilos”, de forma que não quero me repetir.

Nada disso foi planejado do ponto de vista "estratégico", por assim dizer, considerando que a plataforma Blogger morreu e eu precisava de um novo espaço, com maior alcance. Foi apenas acontecendo. Um vídeo aqui, outro ali, uma matéria transformada em vídeo, um assunto que parecia render alguma conversa... e, quando percebi, havia um canal com mais de meio milhão de visualizações.

O que era ferramenta acabou virando plataforma. E, convenhamos, para algo que começou como simples suporte a um blogue, até que não deu tão errado. E tem trazido bons momentos, no geral.

É isso. Fico por aqui. Abraços vlogueiros e até a próxima.




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