quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Depois da Escuridão [ Cinema ]

 

Jovens aportadores aguardando o resgaste.

Foto de Pavel Danilyuk no Pexels

A melhor história sobre O Fim que já li foi A Estrada de Cormac McCarthy, o maior escritor vivo do planeta, penso. O filme também é ótimo. Na trama, não existe saída. A terra está podre. Nada floresce, não há caça nem peixe. As árvores estão caindo. Só o canibalismo restou como saída e nada mais. Para um cenário como aquele, não há nada a fazer a não ser um balaço na própria cabeça.

À toa em frente à TV, resolvi assistir a Depois da Escuridão (2019). O filme é simples e se passa totalmente no interior do casarão do rico e influente homem de negócios que se vê diante do colapso: o sol deu tilt, manchas inexplicáveis reduzindo o calor e tudo está morrendo por frio. Este cara possui uma grande propriedade à beira do lago e perto do mar, reunindo sua família problemática na mansão enquanto aguarda o auxílio político (ele tinha prestígio e financiava campanhas) para algum refúgio quente em cavernas. Mas a ajuda não virá. Farinha pouca, meu pirão primeiro. Em momentos assim, é cada um por si e salve-se quem puder.

Gringos são expertos em sobrevivencialismo. O elevado padrão de vida facilita isso. Os caras têm búnqueres com comida para anos, propano e ferramentas para defesa. E, no enredo do filme, o mal seria passageiro: acreditam ser algo momentâneo. Com investimentos, o ricaço poderia se manter trancafiado com comida, água e calor durante anos. Se o bagulho não se resolvesse, o que fazer? Mas poderia tentar.

Nosso homem de família mal sabe cuidar da própria casa. Sua despensa (com pouca comida) está se infestando de ratos e ele prefere evitar o problema, com medo, enquanto bebe vinhos envelhecidos e ouve música clássica até quando a energia elétrica acaba de vez.

O filme é bobinho. Mas é bonito, com boa fotografia no espaço doméstico. É curtinho (1 h e 1/2). Vale a pena assisti-lo para matar o tempo. Em mim, ainda ficou a reflexão: as pessoas sempre acham que ficará tudo bem e que meter grana naquela ação do momento é melhor do que pensar na crise - não financeira, mas humana.

O elenco contra com a "milf" Kyra Sedgwick, por quem nutro certa tara (coroa magrela com cara de sapeca).

Abraços críticos e até a próxima.

9 comentários:

  1. Olá, Neófito.

    Me preocupo bastante com uma situação do tipo, seja lá o que venha causá-la. Eu não conheço muito de sobrevivencialismo e, acho, pouca gente sabe algo sobre. Tiraram as armas e o conhecimento antigo e nos deixaram bastante softs. Acho que ese é um dos motivos de não haver mais revoluções como antigamente, a massa está domada.

    Eu faço alguns investimentos, mas também penso que o melhor investimento é em si mesmo. Gosto de pensar que esse dinheiro guardado é como um calção pra quando ficar velho ter pelo menos o que comer e me divertir um pouco.

    Coisas que eu gostaria de aprender mas o tempo corrido das nossas cidades e o dinheiro e a política não permitem?: Atirar, manuseio e manutenção de armas, projetar máquinas e armas básicas para sobrevivência, abate de animais, estratégias de caça e coleta, criação de animais e vegetais e frutas, coisas do tipo.

    Acho que pouca gente sabe isso, mas são habilidades essenciais num momento de merda, mas também acho que esse momento em que o mundo vai ir a merda dificilmente chegará e, caso chegue e eu esteja errado, não vejo como alguém numa cidade grande sobreviveria se não por sorte. Preparação é necessário, mas sem sorte morrer seria o mais natural num mundo assim.

    Abraços.

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    1. Olá, Matheus.

      Certamente o investimento é necessário. Se eu não penso mais tanto no assunto, é porque não tenho grana para investir há certo tempo. Passei por problemas (que não eram meus, mas acabei me envolvendo e gastando MUITO). E só investiria novamente se tivesse sobrando grana. E, para mim, sobrando é quando cuidei bem de mim, de minha família, gastei com bens essenciais, tiver bons momentos de lazer e sobrou algum. Esse não é o pensamento dos Primos Ricos da vida, que deixam de tomar chopp e cafezinho para poupar. Mas é como eu sigo desde sempre. Só guardo o que sobra. A vida é curta e pode ser ainda mais. Em torno dos 40 anos, já coleciono uma bela lista de amigos defuntos.

      Em relação ao filme, com a fortuna do cara, ele poderia ter tanques de propano para mantê-lo aquecido e confortável por anos. O acesso a ração militar ali é farto. Teria comida (de boa qualidade aliás) para anos. E poderia dar uma subidinha até sua casa algumas vezes para ler na biblioteca, tocar piano e até mesmo ouvir seus disco com a energia do propano. Muito realmente se perdeu. Todos se acostumaram a viver na moleza (soft, como você diz). E isso em pouco tempo. Minha avó, quando queria comer uma pamonha, fazia em casa, nunca comprava, por exemplo. Meus tios, mesmo bem de vida, plantavam milho, mandioca, pomares e criavam animais. Nenhum primo meu faz mais isso. No filme, vemos como a coisa se perdeu de modo que um ricaço não dura nem uma semana sem o sistema a todo vapor. E ele não precisaria ter habilidade, mas apenas ter investido num espaço para crise, como é até cultural entre aquele povo.

      As cidades não nos permitem nada. Você mora num grande centro em apartamento, por exemplo. O que você pode fazer? Quase nada.

      A cada dia perdemos mais liberdade.

      Abraços!

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  2. num cenário desses deixaria uma pistola para suicidio bem do lado da garrafa de vinho e partiria feliz da vida depois da ultima refeição, hehe
    parece bom

    abs!

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    1. Olá, Scant.
      Seria o mais racional. O problema é quando se tem filhos... Aí acaba a coragem. Além disso, como pode ser algo passageiro, valeria a pena tentar segurar a barrar por algum tempo.
      Abraços!

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  3. Ultimamente vejo pessoas que rejeitam produções porque não elas não são cem por cento fodásticas. Compreendo. Pelo aumento expressivo da oferta, realmente não é bom passar um tempo com algo que não te satisfaz. Porém, eu sou o tipo de pessoas que gosta de descobrir histórias boas em produções medianas. Às vezes fico até de saco cheio e blockbuster. Por exemplo, não aguento mais nada da Marvel no cinema. Sei que é superprodução e tal, mas estou de saco cheio. AS vezes a gente só quer ficar no cantinho, sossegado.

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    1. Olá, Fabiano!

      Estou fugindo de blockbuster. Não vejo nada de heróis, por exemplo. Apenas não me agradam. Então não insisto mais. Consigo me divertir bastante e passar o bem o tempo com produções bobas. E tb me dedico aos clássicos, quando posso. "Ah, os CLÁSSICOS etc etc etc!" É que creio que vale a pena dedicar umas horas a conhecer um pouco do cinema antigo, faz parte de nossa história e, sim, encontramos coisa boa ali tb.

      Abraços!

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    2. Minha única birra com clássico é aquele negócio que as pessoas sempre recomendam clássico e desprezam outras coisas. Se você não lê clássicos, essas pessoas não consideram que você lê. Se você não vê filmes clássicos, elas não te consideram um apreciador da arte de verdade. Uma tolice esse julgamento. Fora isso, não tenho nada contra clássicos.

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    3. Sei bem a que vc se refere. E fazem um desfavor com isso. Se vc apresentar a leitura a jovens por clássicos, afugentará grande parte de possível futuros leitores. O mesmo vale para o cinema. Cresci foi vendo "clássicos" da Sessão da Tarde, Tela Quente e Super Cine. Já maduro que me interessei por filmes mais antigos. O que as pessoas falam... bem, elas falam. Na maioria das vezes entra por um ouvido e sai pelo outro. Nem perco mais meu tempo em longos debates sobre o assunto.

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