terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

HQs de Danilo Beyruth


Imagem de minha coleção.

Muita gente que não acompanha quadrinhos fora do mainstream (DC, Marvel, Disney, MSP, mangás etc.) passou a se interessar pelo trabalho de Danilo Beyruth após sua Astronauta Magnetar, a primeira HQ do novíssimo selo Graphic MSP, onde autores nacionais, alheios aos estúdios de Maurício de Sousa, dão sua visão (releitura) dos personagens da Turma da Mônica. Já falei acerca desse ótimo gibi aqui no blog (dê uma conferida). Para aqueles que ainda não conhecem outros trabalho de Danilo Beyruth, recomendo dois álbuns que tenho prazer e orgulho em ter na coleção: Bando de Dois e Necronauta - O Almanaque dos Mortos, ambos editados pela Zarabatana Books. Retirei algumas fotografias para ilustrar essa postagem e possibilitar aos leitores uma visão da qualidade das publicações (brochuras com capa cartonada, mas com ótimo acabamento, sendo Necronauta impressa em papel cuchê e Bando de Dois em papel tipo offset).

Em Bando de Dois, o cangaceiro Tinhoso, após sobreviver a uma emboscada da volante do Tenente Honório, sonha com o bando recém massacrado pedindo por liberdade. Junto com ele, Cavêra di Boi, outro membro do bando, escapa. Devido a esse sonho, os dois saem em busca das cabeças cortadas pelo Tenente – embora fiquemos sabendo que a motivação de Cavêra é outra. No pequeno povoado de Nova Nazaré, uma população vive à míngua em volta da igreja, apoiada na crença de uma revelação, guiados por um Padre messiânico. Esse é o mote para o desenrolar de um bangue-bangue sertanejo, que explora a violência, marginalidade e fé de uma árida região brasileira. Com o mesmo tema de cangaço que Estórias Gerais (escrita pelo acadêmico Dr. Wellington Srbek e ilustrada por Flávio Colin), esta HQ é uma magnífica história.

Necronautaé uma brincadeira bem sucedida, sobre um "herói" cuja função é resgatar almas presas ao plano terreno, encaminhando-as para a "luz"; ou seja: ao descanso eterno. Ele não é o único nessa função. Na última história de Almanaque dos Mortos, conhecemos diversos "necronautas" (com outros nomes, claro) com especialidades específicas de resgate. Além das HQs, diversos artistas contribuíram para a obra com pin-ups, como no exemplo da primeira fotografia abaixo. Por se tratar de um "almanaque", também há passatempos macabros, simples e divertidos. Um gibi bacana!

We3 de Grant Morrison e Frank Quitely


Imagem de meu exemplar.

Já faz algum tempo que lançaram We3, de Grant Morrison e Frank Quitely (dupla abordada na postagem anterior, quando falei de Grandes Astros Superman). A trama é simples: três animais domésticos são capturados pela Força Aérea gringa para o desenvolvimento de armamentos, baseados em robótica. Assim, eles recebem modificação genética e um exoesqueleto resistente, forte e com diversas armas, inclusive explosivos que - prestando bem atenção - são expelidos pelos ânus das máquinas. Quando ameaçados de abatimento pelo Chefe da operação militar, os três fogem e querem apenas retornar às suas casas. Enquanto buscam seus lares, são caçados pelo Estado, diante da ameaça que representam. E, enfim, é só isso. Uma história simples e bacana, sem as chateações de Grant Morrison sobre misticismo, ciência fajuta para leigos e demais abobrinhas. A arte de Quitely é primorosa e temos, na HQ, ângulos não usuais. O título é uma brincadeira em inglês, idioma original da obra. Enquanto representa Animal Weapon 3 (Arma Animal versão #03), também diz respeito à condição de equipe do time de animais, que reconhecem a necessidade de se manterem unidos e repetem sempre isso: We 3 (ou: nós três). Essencialmente, a história lida com a antiga relação entre homem e animal. É bonita a paixão da personagem Roseanne pelos bichos/armas. Além disso, o final da história fecha bem esse propósito mais do que explícito da HQ. É a segunda vez que essa publicação surge em nossa terrinha. Diferentemente da primeira edição (2006), essa trás mais dez páginas inéditas da trama, possui extras e capa dura. Preço informado: R$ 45,00. Mas comprei por R$ 25,00 utilizando desconto progressivo e bônus, além de um desconto de capa que já era ofertado pela Saraiva. Certamente, a HQ seria mais barata sem as desnecessárias vinte e oito páginas de extras com esboços e comentários que não interessam a quase nenhum leitor. Há algum tempo, ando puto da vida com esse desperdício de páginas. Já falei sobre isso na resenha de O Incrível Cabeça de Parafuso. De qualquer forma, considerando a possibilidade de comprar o livro por valor bem abaixo do preço de capa, recomendo. A história é ótima. Vale muito a pena. E o encadernado está caprichado.