terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Use sua ilusão [ Música, Divagações ]



Os álbuns que seriam lançados como um só, duplo.

Não foram os medalhões como Bob Dylan ou David Bowie que fizeram parte de minha formação musical. Apenas após certa idade, naquela busca por novos sons e experiências, é que fui apurando meus ouvidos. É mais ou menos como o paladar. De início, gostamos de comidas muito doces ou muito salgadas. Depois de um tempo, nem aguentamos mais comer muita bobagem e só nos agrada algo mais suave. Até uma certa idade, nada se compara a um refrigerante bem gelado. Depois de um tempo, nada mata tão bem nossa sede quanto uma cerveja! E, na minha adolescência, nenhuma banda foi tão marcante quanto Guns N' Roses; embora, atualmente, seja algo como o refrigerante em minha vida. 

Em casa, tínhamos todos os CDs da banda, comprados aos poucos, a bastante custo. Quem é ao menos da geração passada recorda como eram caros os CDs, de maneira que não é tão difícil compreender o que levou a indústria fonográfica à falência (merecidamente!). Eram apenas cinco álbuns para comprar, mas levamos anos nessa empreitada. Como era bom gastar várias tardes escutando os álbuns bonitinhos dos Guns N' Roses, em especial a engenharia de som impecável dos dois Use Your Illusion. 

Uma curiosidade: as capas destes álbuns foram elaboradas em cima do afresco La Scuola di Atene, de Raffaello Sanzio. Abaixo, posto imagem da pintura em grande resolução, destacando de onde retiraram as figuras da capa. A razão dessa postagem é que ouvi esses álbuns hoje e recordei bastante daquela fase da vida onde a única preocupação era não ser reprovado na escola. Minha adolescência teve o sabor de Use Your Illusion I e II... E o tempo passou bem rápido!

Abraços fugidios e até a próxima.


Música incidental: Dylan e Rossi

Bob Dylan e Suze Rotolo.

As referências à cultura pop norte-americana no filme Vanilla Sky sempre me intrigaram; ou melhor: chamaram minha atenção, pois sou interessado em quase tudo que aborde a cultura de massas de uma maneira mais "erudita", por assim dizer. A película de Cameron Crowe é um remake fraco de Abre los ojos, do cineasta espanhol Alejandro Amenábar. No original, não vemos tanto a presença de elementos da cultura de massa na vida criada pelo protagonista da trama. Ao menos Cameron Crowe deu esse viés à sua produção. Enfim... não sei porque divaguei sobre Vanilla Sky neste momento. Mas é que Bob Dylan me recorda a capa de disco acima. E essa capa remete ao filme, em um de seus melhores momentos. E essa breve postagem deveria ser sobre Dylan e sua canção I Want You, gravada na década de sessenta. Esses dias, ouvindo-a pela centésima vez enquanto dirigia, notei como a canção brega Em Plena Lua de Mel, popularizada por Reginaldo Rossi, foi beber na harmonia daquele clássico do rock. Pesquisei na rede sobre isso e não vi nada a respeito. Para os fãs de Dylan (ou do Reginaldo Rossi), fica a deixa.