Próximo ao final do ano passado, escrevi uma postagem sobre música. No caso, recordei Annie Lennox e minha infância mágica com a TV aberta. Há alguns dias, precisei viajar para cuidar de assuntos de saúde. No caso, minha esposa está com problemas recorrentes no útero que, se não tratados regularmente, podem evoluir para câncer. Enfim: fatos da vida. Levei-a a uma cidade com bom apoio a cuidados médicos e duas ginecologistas, pela segunda vez, removeram as lesões pré-cancerosas. Aparentemente, não há motivos para muita preocupação, pois parece ser algo comum em mulheres, e a medicina anda avançando no acompanhamento e no tratamento dessas ocorrências.
Mas vamos falar de música. No retorno, deixei rolando uma playlist que havia deixado no offline do YouTube Music. Então começou o riff composto pelo próprio John Mellencamp para Hurt So Good. E, meus caros, não há como negar que, ao menos para ouvidos leigos como os nossos, ele parece bastante com a guitarra de Bill Bottrell para a magnífica Black or White, de Michael Jackson. De acordo com Bill Bottrell, a melodia do riff lhe foi repassada pelo próprio Michael, por meio de sons vocais. Ele apenas a adaptou para a guitarra. Plágio? Não sei. Perguntei ao ChatGPT se seria cópia, e a resposta foi a seguinte:
Não há consenso, nem decisão oficial, de que o riff de Bill Bottrell em Black or White seja plágio de John Mellencamp ou de Hurt So Good. O que existe é uma semelhança perceptível, especialmente no uso de acordes abertos, ritmo marcado e pegada rock direta — algo muito comum no rock e no pop rock dos anos 1980 e início dos 1990. Esses elementos fazem parte de um “vocabulário” musical bastante explorado na época. Para leigos, é como comparar frases feitas: soam parecidas porque usam estruturas conhecidas, não porque uma foi copiada da outra. Até hoje, não houve ação judicial, reconhecimento público de plágio ou atribuição indevida aceita pela indústria. O mais seguro é dizer que o riff de Black or White foi influenciado pelo rock americano, do qual Mellencamp é um expoente, mas influência não é sinônimo de plágio.
O que eu, como leigo, acho? Acho que tudo, há um bom tempo, é cópia de cópias, mesmo que de forma inconsciente. Parece que tudo o que poderia ser explorado nos diversos campos culturais já o foi. O que muda, agora, é a forma como você contextualiza tudo. Isso me recorda o que falei em A Mensagem Final, em David Boring, há cinco anos. Em um ponto da história, David (o protagonista) diz a seu tio-avô, August Brown, ser produtor de filmes (uma mentira, de certa forma). O velho lhe responde: “Lembre-se do que dizem: todas as histórias já foram contadas. Então, se você precisar contar uma, conte direito!”. E o quadrinho de Clowes foi exatamente isso: a mesma história de sempre, contada “direito”, de uma forma apenas nova e melhor contextualizada para um dado tempo. Assim é na música, no cinema, nas séries, nos quadrinhos etc.
Voltei para casa, após ouvir John Mellencamp e sua guitarra, lembrando-me de como toda a discografia de Michael Jackson foi importante para mim. Tínhamos Thriller e Bad em vinil, quando guris. E, ainda adolescente, comprei o CD Dangerous, após passar bastante tempo juntando dinheiro. CD original era algo caríssimo! Guri, a melhor canção do álbum, para mim, era Black or White. Já adulto, passou a ser Who Is It (cujo clipe foi dirigido por David Fincher — sim, o mesmo de Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social). Fincher manteve bastante contato com o mundo da música, sempre com um estilo, em seus clipes, de noir moderno, com tons frios e iluminação dramática (exemplos que trago logo abaixo desta postagem, em clipes selecionados).
Assim que cheguei em casa, botei o CD para rodar — o mesmo comprado quando eu era adolescente. Logo, é um objeto que está comigo há quase três décadas (vídeo abaixo), tanto o encarte quanto o disco. E então é isso... Voltei de uma viagem e voltei no tempo. Inclusive, essa viagem no tempo demorou bastante, tanto que estou embarcado nela até agora, enquanto escrevo esta postagem. Lembro até mesmo que comprei o CD na antiga loja Comeg Center, situada na Avenida Rio Branco, após o almoço, quando retornava ao colégio para uma segunda bateria de aulas vespertinas (era assim três vezes por semana). Que avenida importante para mim, a propósito... pois também era nela que estavam as duas principais bancas de revistas onde eu comprava gibis!
Bem, é isso. Abraços plagiados e até a próxima.

Confesso que, apesar de gostar bastante de rock, nunca ouvi falar de John Mellencamp. Certa vez, vi por acaso um canal no YT que mostrava músicas originais de onde havia tido "inspiração" para a criação de músicas novas. Tinha várias músicas famosas ali na lista que haviam usado um riff ou batida de outra música (acho que algumas foram até mesmo pagas para não ter problemas jurídicos). Faz sentido: tal qual o cinema atual, caro pra dedéu, faz remakes e reboots infinitos, pegar uma parte de uma música de sucesso faz aumentar a chance de uma nova música também fazer sucesso, pois a "fórmula" já foi testada e aprovada.
ResponderExcluirTambém gosto do MJ, mas por sinal acho Black and White chatíssima justamente pela guitarra. Também tenho alguns CD's meus da adolescência. Aliás, no ano passado tornei a comprar CD's.
Janie's Got a Gun é uma das minhas músicas preferidas da vida.
Espero que sua esposa fique bem. A minha já teve algumas coisas parecidas, mas nunca mais teve nada.
Abraço!
Conheci Mellencamp totalmente por acaso, em músicas que iam passando aleatoriamente.
ExcluirAlan Moore fala na existência física da informação, circulando numa espécie de trânsito livre entre nós. Logo, seria natural várias pessoas capturarem a mesma informação ou parcela dela.
No fim, acho que muitas vezes o cidadão comete um plágio, mesmo, sem nem sabê-lo. Ouviu algo que se perdeu na memória, por exemplo, e depois tem uns insights com aquilo.
Valeu pela força. Esse problemas em mulheres são comuns. E há muitos cuidados em torno disso. Tanto que elas vivem mais do que nós.
Abraços!
Não conheço essa teoria do Moore, mas pelo o que você descreveu faz muito sentido.
ExcluirAbraço!
https://www.amazon.com.br/Vitamin-cure-womens-health-problems/dp/1591202744
ResponderExcluirhttp://www.doctoryourself.com/helensaulcase.html
Valeu, Scant. Dei uma conferida rápido.
ExcluirEla se cuida bem: boa alimentação, suplementação etc. Está sempre pesquisando sobre isso e inovando em receitas. É que essas coisas estão se tornando quase uma gripe...
Abraços
Neo, vou chamar assim, pode ser?
ResponderExcluirPorque é mais facil pra mim, que
sempre esqueço nomes e fico catando
na minha lista.
Então, quanto as questões de
saúde, desejo toda recuperação
para sua esposa. Nós mulheres,
temos infelizmente, a facilidade
de fazer muitas coisas ao mesmo tempo
e com isso nos esquecemos de nós e
de nossas necessidades. E assim
adoecemos quase sem que percebam.
Mas é coisa de nós, mulheres de fibra
assumir e reagir. E quando nossa família
é atenta, temos mais chance de acordarmos
para cuidados conosco também.
Quando as canções e as questões musicais
aqui expostas, eu aplaudo, e vou
conferir video a video ainda hoje a tarde.
Obrigada por essa riqueza de detalhes
em mais essa publicação.
Bjins
CatiahôAlc.
Oi, Cátia. Sinta-se à vontade para chamar como bem quiser. Gostei do Neo!
ExcluirGrato pelos desejos de melhoras. Estamos acompanhando e me parece que ficará tudo bem.
Sobre autocuidado, com homem é pior. Nos damos tanto para a família que não nos cuidamos. Minha mãe, por exemplo, sempre viveu indo a médicos para qualquer coisinha que aparecia em seu corpo. E estava correta. Já meu pai... Acho que só foi quando sofreu um acidente e quebrou a perna. Meu pai trabalhava do nascer do dia até a noite; minha mãe nunca trabalhou. Minha esposa não quer trabalhar por enquanto: e não a forço a isso. Ela diz que não gosta e quer estudar para concurso. Por mim, ok.
Um dado interessante: "Em 2024, a expectativa de vida no Brasil para homens foi de 73,3 anos, enquanto para mulheres foi de 79,9 anos, uma diferença de 6,6 anos".
Espero que tenha gostado de algum das música!
Grande abraço e seja sempre bem vinda!
Depois de ler este seu artigo senti a nostalgia dos CD! Que saudades de chegar a casa, escolher um CD e simplesmente aproveitar!
ResponderExcluirBjxxx,
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Bate aquela saudade. Mas... Bom que ficou para trás. A informação está mais acessível.
ExcluirClaro: acabamos não tendo nada, pois o objeto físico não existe.
Mas era tudo tão caro.
Abracos, garota!
Opa, Neófito! Blz? Espero que esteja tudo bem com sua esposa e contigo. Vi, segunda agora, um trailer do filme do Michael Jackson. Você viu? cara, achei a voz do ator idêntica ao do Michael. Aí pesquisei e vi que ele é sobrinho do artista. Bons tempos que eu ia as lojas de CDs. Confesso que ainda os compro em uma loja no Centro da minha cidade!! Grande abraço!
ResponderExcluirFala, Roniere. Rapaz... Fiquei impressionado com aquilo. É voz do ator, realmente, ou algum efeito de IA? Pq, mesmo sendo sobrinho do Michael, ficou idêntico.
ExcluirNão gostei dos filmes sobre mega astros da música (Mercury, Elton John, Elvis), mas acho que gostarei deste.
M.J. foi incrível. Deixou um legado de discos INCRÍVEIS; produções impecáveis numa época onde não havia tantos recursos digitais para facilitar a vida do cantor. Como se diz: ele tinha gogó. Gogó, belas letras, harmonias incríveis e sempre acompanhado da nata da música (os melhores produtores musicais, arranjadores, baixistas incríveis como Louis Johnson).
Pretendo comprar mais CDs, também. Às vezes fico namorando com alguns na Amazon.
Abraços!
Da uma olhada em CDs na Shopee. Tem variedade e preço, além dos cupons de frete grátis.
ExcluirRodrigo, as pessoas vivem me dizendo para ficar de olho na Shopee... Vou passar a ver melhor isso.
ExcluirPassando para desejar um bom domingo!
ResponderExcluirBjxxx,
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Oi, Teresa. Grato pelo carinho. Também te desejo tudo de bom. Abraços, garota.
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